domingo, 2 de outubro de 2016

Poeminha do amor faminto



Era tão saudoso aquele amor que chegava a doer n'alma.. 
Era feito de uma saudade oxidada.. 
Misturava-se ao álcool e ao breu.. 
Vivia na clausura relembrando o amor perdido, 
E também perdido ficara ele, 
envolto em sombras e escombros
Ele mesmo era uma ruína.. 
Nunca mais se recupera da perda..
Tornara-se cético e amargo..

A saudade era tanta que a sentia no vento, 
que a inventava noutras mulheres.. 
A procurava nos bordéis e no cais.. 
A procurava até nas nuvens.. 
Era tão surreal aquela saudade que se tornara mendigo de qualquer amor..
Qualquer restinho, qualquer migalhinha  já era um alento ao coração doído.. 
Começou ele a pedir amor a qualquer um, amor e um pouquinho de afago
Mendigava no centro da cidade, lá pelos arcos da Lapa.. 
Um chapéu velho, umas roupas mal cozidas e umas letras no papel onde se lia a palavra FAMINTO..
Recusava a comida que lhe davam, não sabiam eles que amor era o alimento que lhe faltava.. 


(Dos 23 poemas de amor)