sábado, 14 de agosto de 2010

Nas cores de Miró, meu sonho!

Daybreak - Miró



No quadro de Miró
viro nuvem, pássaro verde e ponto.
Me perco no azul infinito,
busco o vermelho e o amarelo.
Com todas as matizes
sonha minh'alma.
No cinza, tranfiguro-me flor,
Sobre o verde encontro o sol
E quieta, calo-me calma ante a vida.


D.
Hopper - Morning Sun


Nas curvas do teu corpo
desenho a lua.
Busco a pele,
tateando-te alva estrela da manhã.
Sonho-te constelação e via-láctea,
Desejo-te planetas e galáxias.
E em ti nuvem, me perco
perdendo-me...
busco em ti o infinito.


D.

Fome de ti




Respiro-te azul ante o mundo. 
Sonho-te em mim, todas as nuances.  
Com fome voraz, 
em meus lábios, 
experimento teu gosto,      
Teu corpo rompe a noite,  
Tua mão arrebata minha pele.  
Ansiosa espera de ver-te meu, 
suave desejo de ver-me tua!!!



D.

Súplica

O beijo - Lautrec



Guardo, encerrados em mim, teus olhos!!
Fitam-me vorazes, famintos!!
Suplica meu corpo tua pele.
Querer-te meu, amor
é voar pelas pradarias.
Inebriar-me de ti
é beber cálice a cálice
o gosto teu que deixaste em mim.
Inebriada,
tua,
busco-te loucamente!!


D.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010




Vesti-me de ti,
completamente.
ESTOU NUA!!!


Tela - Amore dormiente ( Caravaggio)

sábado, 7 de agosto de 2010

Minha inquietude nasceu comigo.
Há um estranho desassossego em mim,
Há sempre um grito que rompe meu silêncio, um riso pra conter meu choro, uma aurora pra iluminar minha noite!
Não sei dizer o que tanto inquieta minha alma, há uma rebeldia incontida, uma eterna perturbação que não sossega, um desejo que não cessa.
Sou um preso que anseia pela liberdade, um homem livre que continua atado a seus grilhões. Uma parte de mim traduz a multidão das coisas, a outra desenha um urso solitário perdido no frio de um inverno escuro. Há uma inquietude em mim que não passa!!!

06.08        

D.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Filhos da Insônia

Nascem de mim, dois filhos da insônia: A Antropologia do Inenárravel e A Arqueologia de Anotações! Meus filhos, frutos da ausência de Morpheus, são feitos de papel. Nascem e crescem no solo fértil da minha alma. Enclausurados, moram em meu ventre, libertos, voam dentro de mim doces libélulas sem dono!!


D.

Tão tua, que já não sou mais eu!

Sou tão tua, amor meu, que já não sei se sou eu mesma! Me inebrias tanto, que vivo bêbada de ti!! Me envolves tanto, que me reconheço em ti!!E quando te machuco, machuco a mim! E quando me entrego, já não sei mais se sou tua dentro de ti ou és tu dentro de mim!!



D.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Antropologia do Inenarrável

O real não tem portas dos fundos.

Contra todos os sistemas inclusive o das sereias.

Contemplar é um ato violento.

A decapitação da noite é um ato parcial.

Disparando um sorriso como tiro de advertência.

Feliz desaniversário, Jesus Cristo.

Eu me eternizo quando me escolho.

Navalha-me, Deus!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

Ando cega

Destruiram-se meus sonhos.
Fiquei perdida, imersa num mundo que não é meu!
Olho para o nada, pois nada do que seja eu, reconheço.
Eu tenho andado a procurar meus sonhos
A procurar a mim
E tateio como um cego as paredes de uma mulher parecida comigo.
Ando cega,
buscando-me loucamente!!

01.08.2010

Alma faminta




Seria eu algum algoritmo especial capaz de reduzir minha definitiva equação? Seria eu o número da besta? Seria eu o infinito cabível dentro de uma ostra? Ou números irracionais envolvidos de pura metafísica? Ou o pi angustiado no universo quadrado e sem curva? Ou simplesmente um bando de ossos, cabelos, pele e uma alma faminta?

01.08.2010 - A filha da baronesa
foto: Daniela Possamai - Firenze

A matemática




Matrizes e determinantes para equacionar a mente humana. Um algoritmo de Briot Ruffini angustiado e enclausurado na imensidão do mundo. Um logaritmo nu resolvendo a equação da solidão humana dentro do universo. Um Pi maquiavélico num planeta quadrado e reto. O ângulo obtuso frente ao mal. A matemática a explicar a vida. A matemática a pesar a alma.


Foto: Daniela Possamai - Firenze