quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Van Gogh - Starry Night


Eram teus meus desejos
Os tinha, todos, dentro de ti
pequenos órfãos abandonados.
Agora, lua nova no horizonte,
brotam em mim suaves sonhos de criança
E fico a contemplar minhas estrelas favoritas...
E falo com elas,
Juntas dialogamos doces devaneios
azuis,
Rimos calmamente.
Nos damos as mãos
e pertinho uma da outra,
percorremos o infinito!!!

30.09

30 de setembro de uma longa insônia



Desfaz em mim todos teus abismos!!!


En la face mi sonrisa, en el alma mi poesia!!!!
Olho pro teu corpo adormecido entre os lençóis
Como é belo teu calmo respirar.
Dormes, meu bebê,
sonhas teus sonhos de criança
e amanhã,
ama-me simplesmente!!!

with love D


Amore Dormiente - Caravaggio

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Biografia

 Escafandro em solidão necessária! Companheiros de vida serão palavras selvagens, laudas de mar, céus infinitos em rimas. Submersos versos de mim!!!

domingo, 12 de setembro de 2010

Música - Klimt





Beijava-me vorazmente a boca,
dedilhava o seio nu,
no colo meu desenhava seu ninho.
Percorria a pele,
Caminhava em mim!!
Eu fui o instrumento que ele tocava,
Do meu corpo extraia música,
Suaves notas, doces melodias
Cantava-me mudamente!!
E eu,
deixava nele,
impressa,
a partitura de mim!!!

12.09.10  
  

quarta-feira, 8 de setembro de 2010





pega o que esqueci de mim, maria
e despacha no primeiro avião
não esquece de juntar entre os trastes
a inútil poesia que escrevi
durante trinta anos da minha vida também inútil
talvez o cego se interesse pelos meus versos
caso eu não volte é porque morri
de frio
de tédio
ou destas longas ausências de mim..

Fragmento de Poema Russo - Júlio Saraiva



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Iessiênin



Até logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.

Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.

(1925)
Iessiênin escreveu o poema acima com o
próprio sangue ao se suicidar cortando
os pulsos e se enforcando em seguida.

Marina Tsvietáieva






Há em mim um verdadeiro amor pela literatura russa como um todo. Isolada permaneço na fria Sibéria em Recordações da Casa dos Mortos, depois experimento o amargo existencialismo em São Petersburgo..A poesia retumba encarcerada pela Revolução, Maiakoviski,  Gogol e outros tantos...  mais que literatura, experiências de vida!!!
Da poesia, deixo um pouco de Marina Tsvietáieva..



A Carta


Assim não se esperam cartas.
Assim se espera - a carta.
Pedaço de papel
Com uma borda
De cola. Dentro - uma palavra
Apenas. Isto é tudo.

Assim não se espera o bem.
Assim se espera - o fim:
Salva de soldados,
No peito - três quartos
De chumbo. Céu vermelho.
E só. Isto é tudo.

Felicidade? E a idade?
A flor - floriu.
Quadrado no pátio:
Bocas de fuzil.

(Quadrado da carta:
Tinta, tanto!)
Para o sono da morte
Viver é bastante.

Quadrado da carta.
1923
Tradução de Augusto de Campos
Nova Antologia Poesia Russa Moderna
Editora Brasiliense/1985



À Vida



Não roubarás minha cor
Vermelha, de rio que estua.
Sou recusa: és caçador.
Persegues: eu sou a fuga.

Não dou minha alma cativa!
Colhido em pleno disparo,
Curva o pescoço o cavalo
Árabe -
E abre a veia da vida.


1924
Tradução de Haroldo de Campos
Nova Antologia Poesia Russa Moderna
Editora Brasiliense/1985


À Vida


Não colherás no meu rosto sem ruga
A cor, violenta correnteza.
És caçadora - eu não sou presa.
És a perseguição - eu sou a fuga.

Não colherás viva minha alma!
Acossado, em pleno tropel,
Arqueia o pescoço e rasga
A veia com os dentes - o corcel
Árabe

1924
Tradução de Augusto de Campos
Nova Antologia Poesia Russa Moderna
Editora Brasiliense/1985

Uma grata descoberta - Pizarnik

Raramente vou a sebos, mas por uma indicação da Lu, resolvi num belo sábado de sol ir a um.. Me pus a andar pelo centro antigo de Floripa, entre suas ruelas açorianas.. e eis q numa destas históricas ruas a relevação de uma infinidade de sebos.. Entrei num, noutro e mais outro.. por fim, numa última volta ao último sebo me deparei com Alejandra Pzarnik numa edição de 1992 em Medellin.. O livro suplicava pelas minhas mãos.. naquele momento tive a exata impressão de que tinha ido até lá apenas para ler-te, Alejandra..

Silencio
yo me uno al silencio
yo me he unido al silencio
y me dejo hacer
me dejo beber
me dejo decir

A. Pizarnik 1959



LA JAULA

Afuera hay sol.
No es más que un sol
pero los hombres lo miran
y después cantan.

Yo no sé del sol.
Yo sé la melodía del ángel
y el sermón caliente
del último viento.

Sé gritar hasta el alba
cuando la muerte se posa desnuda
en mi sombra.

Yo lloro debajo de mi nombre.
Yo agito pañuelos en la noche y barcos sedientos de realidad
bailan conmigo.

Yo oculto clavos
para escarnecer a mis sueños enfermos.
Afuera hay sol.
Yo me visto de cenizas.

Alejandra Pizarnik

Foto: Daniela Possamai - Firenze