quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Marina Tsvietáieva






Há em mim um verdadeiro amor pela literatura russa como um todo. Isolada permaneço na fria Sibéria em Recordações da Casa dos Mortos, depois experimento o amargo existencialismo em São Petersburgo..A poesia retumba encarcerada pela Revolução, Maiakoviski,  Gogol e outros tantos...  mais que literatura, experiências de vida!!!
Da poesia, deixo um pouco de Marina Tsvietáieva..



A Carta


Assim não se esperam cartas.
Assim se espera - a carta.
Pedaço de papel
Com uma borda
De cola. Dentro - uma palavra
Apenas. Isto é tudo.

Assim não se espera o bem.
Assim se espera - o fim:
Salva de soldados,
No peito - três quartos
De chumbo. Céu vermelho.
E só. Isto é tudo.

Felicidade? E a idade?
A flor - floriu.
Quadrado no pátio:
Bocas de fuzil.

(Quadrado da carta:
Tinta, tanto!)
Para o sono da morte
Viver é bastante.

Quadrado da carta.
1923
Tradução de Augusto de Campos
Nova Antologia Poesia Russa Moderna
Editora Brasiliense/1985



À Vida



Não roubarás minha cor
Vermelha, de rio que estua.
Sou recusa: és caçador.
Persegues: eu sou a fuga.

Não dou minha alma cativa!
Colhido em pleno disparo,
Curva o pescoço o cavalo
Árabe -
E abre a veia da vida.


1924
Tradução de Haroldo de Campos
Nova Antologia Poesia Russa Moderna
Editora Brasiliense/1985


À Vida


Não colherás no meu rosto sem ruga
A cor, violenta correnteza.
És caçadora - eu não sou presa.
És a perseguição - eu sou a fuga.

Não colherás viva minha alma!
Acossado, em pleno tropel,
Arqueia o pescoço e rasga
A veia com os dentes - o corcel
Árabe

1924
Tradução de Augusto de Campos
Nova Antologia Poesia Russa Moderna
Editora Brasiliense/1985

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