terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Constantinopla


Era um café em Taksim Square..
era um poema o café.
Um poema de narguilés fumegantes,
aromas de uma língua desconhecida.
Névoa que misturava-se à palavras impronunciáveis
Até o café, líquido cintilante, tinha um cheiro novo..
cardamonos sólidos sobre a xícara..
Da janela, ao longe, a Mesquita Azul
de um azul tão profundo que se confundia com o céu
entre os minaretes, neons anunciando o Ramadã
No vento, cortando as nuvens, surge a canção do imã,
Aquela era a última oração do dia..
Premente em mim a fotografia do Chifre de Ouro
De um sol se derramando em vermelho,
Tudo era um poema..
Um poema que surge na tapeçaria espalhada pelo chão
Um verso nu, novinho em folha, sentado na mesa ao lado
um poema que nasce espreitando quieto  as horas
Horas de uma tarde onde vi surgir a poesia tua, Constantinopla minha..


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