domingo, 12 de dezembro de 2010

Solilóquio das folhas brancas

Poeta que entras à porta pela noite
escondido nas névoas da madrugada
onde cantas tua poesia de deus.
Poeta adorado,
és flor de lótus
pétala branca, alva, cheirosa.
brancas são as folhas tuas.. todas
tu as pega, as ama,
as transforma
em mulheres tuas, sedentas, amantes.
Beijos teus que imprimes em nanquim.
Poeta das manhãs de sol em primavera
Teu poder transformador de sonhos
Quimeras de menino
Porque menino és tu
São tuas mãos pueris
dedos inocentes a vagar pela folha
Desenhando poesias, versos teus
A arquitetura melancólica dos aflitos,
A hora parada dos apaixonados
Tu constróis sonhos, poeta
Devaneios teus de profunda confissão
despes a tua roupa humana
e sem pudores declamas ao mundo a paixão
paixão pela palavra,
tua namorada de outrora
deusa tua de ébano, linda, colorida
colibri que encanta teu olhar
tua leve pena de poeta
asas de deus para voar
devaneios longínquos de além-mar
e voas como Ícaro livre, sem medo, sem morte
voas em céus de azuis insanos
porque não há loucura que não te compreenda, poeta
nem vento que não carregue tua asa
cavalos alados pra transportar a silaba
pipa de menino que soltas enquanto escreves
sim, poeta, as pipas tuas no ar, são borboletas cintilantes
de se ver longe..
não te vás nunca, poeta
porque sem ti
todas as folhas serão tristes
e as linhas terão sorrisos amarelos
não te vás nunca, poeta
porque sem ti
toda dor é menos doída
toda guerra é de algodão
toda mentira é fábula
não te vás, poeta...
...
...
Poeta
...
Não!!

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