segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

eu, escultura tua



Foste tu quem me desenhaste.
Esculpia-me em barro,
como aos deuses maori.
Dedilhava-me a pele com tuas mãos,
mãos de invento.
gentis.
ansiosas.
tuas.
Do barro,
silenciosamente,
a forma única da criação tua.
E me deste ar
E me fizeste olhar o mundo.
Esse mundo nosso, tão nosso,
A Meca humana em flores de asfalto.
Esculpiste a mim e me deste vida
essa vida minha de libélula,
Sim, tu pintaste minha alma
e me deste teus desejos..
os guardei todos
no baú cilíndrico da memória
Poções de ti que trago na pele.
Cocares teus grudados em mim
anexos,
palavras tuas,
inventos,
sonhos nossos,
tu, pedaço de mim..
E me deste asa de Fênix
e renasci nas tuas mãos
e voo,
livremente voo
nestes céus teus de almíscar
busco-te nas nuvens,
onde cantas as melodias tuas
e se parto, meu amor,
quase moro.
Deixo-te, mas rezo.
Rezo ao Olimpo para voltar.
Cerro meu olho e voo.
Volto,
volto sedenta para ti.
Dá-me tuas mãos, amor
 e me ensinas a cantar..




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