segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Intróito para o Ano Novo




E então passam os dias
os minutos
a vida..
Passam-se as horas findas
e o Ano chega,
novinho em folha
cheio de esperanças renovadas,
sonhos que a gente cria durante o período,
desejos que lançamos ao mar..
jogando flores à Iemanjá.
E damos adeuses ao Ano que passa,
velhinho já,
cheio de rugas.
Na estação, junto à plataforma,
o Ano sobe no trem.
A locomotiva parte em apitos muitos,
apitos fumegantes anunciando a passagem.
O Ano finalmente parte
Deixando-nos apenas lembranças
umas contas para pagar
e quimeras tantas.
Mal saímos da estação
e do outro lado,
surge brilhante o novo..
O tempo novo em seu boné de menino
peralta, sapeca, levado
e ele vem acompanhado de Esperança,
a linda deusa de coral
e nos incumbe de cuidados generosos
e desejos sem fim.
Braços abertos,
ansiosa espera,
recebemos o Ano que se aproxima..
E é um jovem tão curioso o Ano Novo
e tão cheio de planos
que os traçamos todos num só dia.
E então, saímos da estação como quem foge da prisão..
insanos, velozes..
Ávidos
pela rua...
procurando no vento invível
as matizes de Renoir.




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