quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Poeminha para Chico




Chico que é nome de rio,
que é nome de santo.
Benção entre os brinquedos azuis!
Sonhes muito, menino Francisco.
Que te sejam belos os dias,
e que tu nunca vejas a guerra,
nem a crueza dos homens.
Sê doce, Francisco!
Sê grande como os grandes rios,
que a vida corra através de ti
e tu deságues no imenso mar das tuas horas.
Chico, que tu vejas o mundo
com teu olhar de menino
e te percas nas grandes ruas.
Que a vida te seja mágica
e os teus sonhos de algodão.
Lembra, Chico, a fortaleza é o colo de mãe,
E sim, tem anjos vários ao redor de ti.
Inebrie-se do mundo, Chico..
E viva,
Imensamente viva, pequeno Francisco..


Para o pequeno bebê Francisco,
em 08.01.2010

O amor levado em folhas.. pelo vento

E se o vento levar aquela folha caída
onde escrevi,
em letras de coração,
o vocábulo definitivo:
 amo-te..


Poe sentado numa sala escura

Amo teatro..
Como um Sísifo isento de pedra, me dedico a este prazer que me faz tremer o corpo e arrepiar a alma..Na semana passada assisti a peça "O coração delator".. um monólogo cujo texto é do escritor americano Edgar Allan Poe..
Eu já tinha lido esse frase em outra vida..inclusive a tinha escrito no twitter em tempos longínquos.. mas agora, agora ela ressurgiu radiante, aos berros, no teatro...  a frase ficou em mim como um martelo na alma.. ecoando..ecoando..ecoando..

"Não fui, na infância, como os outros
 e nunca vi como os outros viam.
Minhas paixões
eu não podia tirar das fontes igual à deles;
e era outro o canto que acordava o coração de alegria.
Tudo o que amei,
amei sozinho!!"
Edgar Allan Poe


Clausura em pó


 tenho tantas noites de amor guardadas..
 enclausuradas..
 e o meu amor é tão sólido
e tão cortante,
 capaz de perfurar qualquer obstáculo.
 e mesmo que eu fosse esmagada
 e me tornasse pó,
 eu ainda usaria as minhas cinzas para te abraçar.

Antologia do vento





e das letras que escreves,
guardo-as.
na caixinha do futuro.
anais.
letras tuas de amar,
escritas nos papéis de carta,
aqueles antigos,
cheios de corações na borda.
pergaminhos de seda onde,
em ouro,
estarão impressos teus versos..
para os pequeninos..
para que te ouçam
depois de amanhã.



Ao imenso poeta Marcelo M. Soriano, filho dos mares e Oxalá,
tu, mestre confeiteiro de versos e sonetos de amor e mel.
Por que as linhas tuas que são música de se ouvir no vento..
Saravá!!!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pensar em ti

pensar em ti é coisa infinita.
tu tens um não sei o quê de desatento.
um desalinho.
certo descompasso.
um ataúde só teu.
talvez pareças clausura.

penso em ti.
desperto vozes e notas a cantar no azul.
penso em ti e vejo o mar,
canto às ondas e às anêmonas
e sussurro à maresia
as antigas sinfonias de iaras.
pensar em ti é banhar-se nas profundezas.
é sentir o mundo como se nada mais houvesse..
só água..



sonhos no vento branco e preto

E uma canção de Piafh carrega tua imagem no vento..
Sonho-te..
Nos meus devaneios
somos o beijo imortalizado por Doisneau..


Robert Doisneau, Kiss by the Hotel de Ville,1950

Longe, longe me escrevo



Escrevo-me em rendas
crochês de linhas de seda
cinzas e carmim.
Cor de sangue..
escrevo-me liquefeita
em estado bruto
alma de folha branca
cor de vento a andar pela rua
vagões
antigas ferrovias
navios ao mar..
longe..
longe..
longe..

ESCREVO-ME POR QUE NÃO ME SEI..



5 twiterianas perdidas e o mar


Sonhos de um Tirésias cego:
e um dia tu te perderás em mim..



A tua beleza, amor, é indizível..
 Diante de ti..
palavras são pecados..



Contemplo-te muda..
em silêncios de algodão e ventos..
Teus zéfiros brancos!!




..tus horas tristes quiero,
esas que no se dan a nadie..





Estarei sempre em meio ao jardim..
buscando dálias,
 lisiantos e as rosas todas.
E mesmo no inverno branco,
 mesmo sem folhas..
esperarei por ti..





fotos: d. possamai

Antigos pensamentos twiterianos e um pouco de Dali

Sim, é preciso engolir sapos,
mas há sapos que não são sapos,
são velhos elefantes tristes..



Escafandros voadores..
Astronautas submersos..
 O poeta enlouqueceu sonhando macaquices de criança..





Num pensamento hobbeniano "o homem é o lobo do próprio homem",
 mas há sempre um homem mau a não gostar de poesia..




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Retratos - as quatro estações e mais uma

e tuas folhas secas..
ocres..
grenás..
 amarelos e outros tons..
 variações de fogo..
 fonemas de vento..
canções silibadas a deixar-te nu..
melancolia..
 angústia..


andas pelas sibérias brancas sem sentido..
 os subterrâneos teus..
tuas ruas vazias..
 tristes mãos de neblina.. 
reclusão e solidão confundem-se em ti..
choves..


Strelitzias amarelas..
furta-cor e abelhas..
Bobolis..
ávidos azuis..
 ressureição..
brisas sutis..
aromas florais que exalas..
renasces..


 
E havia sirocos ao redor de ti..
 Saaras que carregavas contigo..
 Desertos sem fim..
Sede..
 Miragens tuas..


 
e trazes monções..
inquietas chuvas..
correntezas..
 águas coloridas de deuses hindus..
 bebo-te em cálices de vento..