segunda-feira, 25 de abril de 2011

A imensidão do branco


Francisco Moreno nem te chegou a conhecer.
Tuas catedrais de gelo,
teus arcos ogiva,
tuas arquitravas de Chartes ..
O grande Deus imponente
e a imensa nave gótica diante do meu olho..
Eu, ínfima, me curvo diante de ti..
Tua imensidão branca,
tuas grutas azuis e o canto teu..
sinfonias que emanas sobre as águas..
És tão grande e tão denso
que feres os desprevenidos de mãos nuas..
Mas és também como um abraço
um abraço que aninha, consola..
um longo abraço branco..
Sê grandioso e imponente ante os deuses!
Não te deixes castigar pela cobiça humana
nem pelo descaso com a casa tua..
Celebro-te como diamante que a água lapida,
e canto-te
canto-te como os gritos de condores sobre a montanha,
como o estrondo que derramas sobre o rio
como a fúria plácida da natureza.
Cuida-te, Perito
Conserva-te para os que virão depois de amanhã
Conserva-te assim,
templo de gelo,
imenso e branco..




Fotos: Daniela Possamai

Nenhum comentário: