quarta-feira, 4 de maio de 2011

O verso interminável



Poetai, meu amor, o meu amor..
São tuas as doces folhas e as tintas de amar!!
Ou poetes na folha do coração a letra invisível e brilhante..
Poetai as laudas furta-cor do cotidiano enamorado do azul
e o vento misterioso que leva,
de presente,
meu cabelo à tua mão.

Poetai o ruído silencioso nas partituras que compõe minh'alma..
e o frescor das violetas no tapete mágico onde voam meus pés.
Poetai as preces de todos os anjos e santos e profetas,
os mantras, as suratas ou as valsas de Tchaikovsky.
Poetai a vida!!
Poetai Veneza serena e calma dos antigos doges
poetai o encontro e a paixão intensa e descontrolada.
Cantai!
Cantai a alegria dos dias,
o fim do outono,
e os refrões das nossas canções esquecidas.
Poetai todos os versos a minha porta!!
Poetai as flores, as grandes árvores e todos os colibris.
Poetai finalmente a mim.
Com tua boca de encanto, amor..
poetai a mim..





Entre os versos das duas estrofes há um espaço invisível de tempo que eu não sei precisar.. Os versos, os escrevo, os deixo de lado, os retomo, os alimento, mas nunca os sacio.. sempre haverão mais!!!
Existirão sempre mais lapsos temporais entre os novos versos, sim, por que eles haverão de surgir, fortes, hirtos, incólumes..A poesia nunca finda em mim, a poesia é contínua como um rio.. um rio de águas perenes.. Penso, no meu universo, que os  lapsos temporais e a poesia cotidiana são os prêmios dos cronópios.

D.


fotos: D Possamai

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