terça-feira, 24 de maio de 2011

Odisséia em três movimentos



I

Perdi-me nos labirintos da cama,
no poema que desenhei sobre os lençóis.
É o teu beijo a despertar meu rosto que dorme plácido
e a tua mão a tocar minha pele vestida de nudez.

II
Lembro-me da chuva que caía ontem sobre a casa
e dos corações apaixonados que saíam de nós e invadiam a sala.
Deixaste o esboço que fizeste de mim sobre a mesa.
Uns traços leves, febris,
uma alma curiosa, inquieta.
Vesti-me com a tua camisa,
andei pela casa..
pés descalços de ternura..
E diante da porta,
o beijo que me deixas antes de ir..
o adeus que se arrasta sem fim.

III
Amor, eu quero ir-me contigo onde fores
Descansa tua mão na minha e leva-me,
Leva-me junto
na odisséia do dia..



Penélope moderna sou eu, só pra estar contigo, na pele da alma tua,
na aura do coração meu..
Seriam inúteis os retalhos em crochê..

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