quinta-feira, 16 de junho de 2011

As palavras minhas que carrego na alma




Palavras!!
Sempre as mais simples,
as mais belas,
as que mereçam o vento de outono,
a doçura da primavera.
Palavras..
São três apenas,
três palavras seguidas de um ponto,
um sorriso,
um coração encantado.
Três palavras,
alguns fonemas,
um bilhete sobre a cama,
a pronúncia demorada
e então..
a sentença perfeita..
E-u   t-e   a-m-o!!!!!

Primavera - Monet


Entrego-te meu coração de tulipa..
Carrega-o contigo..
no coração teu!!

Microcontos em telas de Caravaggio



(A espera)
A mulher então, esperava-o no portão.
a hora ansiosa de vê-lo.
Vivia para aquele momento.
era o minuto mais inebriante do dia.
o único.


(O desamor)
E o vestido da nudez descobria-se entre os lençóis.
Eram os retratos do desamor e do esquecimento.
Sobre a cama, um cravo vermelho e a chave da casa.
Partira.


 (A memória)
E o olhar inquieto debruçado sobre o álbum de fotos:
Também as traças se nutrem de velhas lembranças.


Nas telas de Caravaggio a inspiração das minhas horas..
 minhas horas de minutos coloridos e luzes várias

terça-feira, 14 de junho de 2011

A esquina onde encontrei a orelha de Van Gogh


Lá estava tua orelha
caminhando sozinha,
percorrendo a esquina de Montmartre.
Andava quieta, hirta.
Cabisbaixa.
Só, imensamente só!
De uma solidão contagiante que a esquina,
 abruptamente,
mudava do amarelo para o cinza.
Tua orelha.
Ali.
Parada.
Não parecia perdida.
Talvez andasse noutros mundos..
numa metafísica incompreensível,
nos intervalos inimagináveis para o nosso tempo.
Tua orelha imersa em quimeras de corvos.
Tua orelha.. lúgubre e fria.
A orelha que afaga o esvair-se das coisas,
que debocha do teu irmão, marchand atroz.
Mestre, tua orelha e tu mesmo..
Figuras atormentadas e inquietantes,
desenhos em linhas contínuas,
vácuos em matizes e outros tons..
Na tela onde derramas teu óleo
um pedaço ínfimo e grande da tua alma
um devaneio da tua inquietude e cor.
Tua orelha, mestre
uma partícula.
Uma partícula miniatura do universo que há em ti.
Os átomos da tua alma..



Matizes e pincéis que tu, mestre
Deixaste lá,
abandonados..






Conta-me de ti



Conta-me do céu que vês na janela tua de montanha..
e dos balões que voam sobre os teus olhos e te embriagam de vento..
Conta-me do ar misteriosamente colorido
e da leveza das libélulas..
Conta-me de ti e do teu sorriso que eu adoro..
Fala-me de amor e do tempo!!
Conta-me as tuas horas
e os minutos em que vivi sem ti..
fala-me dos teus olhos e das tuas mãos..
Soletra-te, meu amor..
no meu corpo.
Soletra-te cego.
Com dedos de braile, amor

amantes - chagall

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O decálogo do meu amor



I
 Amo-te com todo o meu amor devotado..
Amo-te música e benção.
Prece que sussurro ao teu ouvido. 
 Devoção.
 Sinfonia de se escutar mudo.

II 
Amo-te na beleza apolínea que ostentas.
Amo-te pele, ouvidos e boca.
Braço. 
Mãos que acariciam o rosto.
 Ternura. Ternura. Alma.

III
 Amo-te poema que completa. 
Amo-te sílaba, nome, verso.
 Cânticos que desenhas nos limites do meu corpo.
Labirintos onde nos perdemos.
Encanto. Doçura.

IV
 Amo-te sem ontem.
Amo-te já
 e agora
 e mesmo que o amanhã não surja,
 amo-te minuto, hora.

V
 Amo-te sem medo.
Amo com meu amor de entrega e a ti entrego a mim, amor..
Carrega-me leve como pétala sobre a água.
Suave. Transparente. Tua.

VI
Amo-te porque te sei.
Conheço teu revés,
 teu olhar de ternura que me olha e me estende a mão.
 Amo-te porque és a minha casa.
Ninho. Abrigo. Telhado.

VII
 Amo-te porque cruzamos nossas vidas e roupas e peles num mundo único.
Só nosso. Terras distantes. Mares sem fim.
Céus e os continentes todos.

VIII
Amo-te porque confundimos o nosso olhar.
Porque tu tomas meu olhar emprestado
 e eu, amor, olho o mundo com teu olho.
 Sonhos teus. Desejos tão meus.

IX
 Amo-te porque se não o amasse não haveria sol nem ar.
Amo-te na minha pele confundido.
 Luz que aquece. 
Perfume em gotículas de orvalho.
Manhã.

X
 Amo-te porque és tu as quatro estações.
 Os 7 mares.
 As flores todas.
 O mundo inteiro.
 Amo-te porque sem ti não sei viver..
 E se vivo, o faço porque te amo..


Rodin - Eternal Springtime

Pensando na comemoração do dia dos namorados, escrevi este pequeno decálogo..
Porque não há amor pra ser comemorado num dia apenas..
o amor amado é diário e dorme na cama dos amantes..
um amor para ser louvado, abençoado e escrito em sinfonias em dó menor..
as sinfonias que fazemos a dois!
23/05/2011

Manhãs de cor febris


Respiro-te em infinitas cores como são teus olhos.
Respiro-te porque são tuas minhas manhãs febris.
Essas manhãs em que durmo
 e tu, amor,
 és quem me desperta..


Bruno di Maio

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A escultura de mármore de Paros


Eu faço poesia de mar
e te ofereço meu cabelo ao vento.
Eu canto às sereias
as canções minhas de amor e ternura.
Ouça-as!! São tuas!!
Tão tuas, meu amor
que ninguém mais as compreenderá..
Só tu..
Só tu e esse teu ouvido de anjo,
esse teu coração puro e amante.
Um coração que ama sem explicação ou teoria.
Um amor tão grande e belo
que atravessa a noite e ganha o orvalho da manhã.
Um amor imenso que só te pede que me beijes,
que pede ansioso que a tua mão encontre a minha.
Que pede nada..
só tu e esse teu sorriso.
Que só te pede que descanses teu olho em mim
e que me abraces longamente.
Eu, a escultura de mármore de Paros,
Eu, essa escultura tua,
inacabada
ansiosa de ti..



No teu nome, as minhas horas




E o teu nome percorre meu corpo em longas sílabas.
Deixas em mim desenhadas tuas letras sutis..
letras tão delicadas como pétalas.
São as canções tuas de se escrever na pele.
versos teus que ouço deslizarem o dorso e a alma
como andam em mim teus dedos de magia.

Não te sabia canção, amor..
Nem pianos e sonatas..
Só as tuas mãos de ventura
e o teu olho suave de paixão.
Uma paixão calma e clara
que as horas tem teu nome, amor..
e os minutos são só frêmitos do meu corpo à espera
à espera que entres pela porta e me sorrias palavras
e me toque com tuas mãos de veludo,
delicadamente,
me toque
e então, amor,
eu morro,
nos teus braços eu morro, amor..


chagall - the enamoured

Entre mim e ti, as construções de Chagall

falo-te numa língua terna e secreta.
 tateio o cordão de flores que me lanças
como ditongos soltos.
o abecedário que aprendo devagar..



tu falavas do tempo,
 mas eu só reparei
a limpidez dos teus olhos.



roubei uns versos do teu jardim..
tuas flores poemas..



Eu te quis pintar em cores invisíveis ..
choveu..
aquarelei teu rosto no meu beijo matiz..