quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Discurso do Rei ao Barão das Abóboras



És tão triste e amargo
que as tuas agruras refletem a tua porta.
Passam os teus anos,
 mas tu, pedra sólida,
não te deslocas nem te tornas belo.
Quem são teus algozes, criança?
Que tamanho têm teus demônios?
Aniquila-os e vive..
Vive a existência que te deram os deuses
Goza a vida num olhar azul de céu.
Livre.
Sem os teus embustes moralistas vários,
sem teus dogmas ultrapassados,
sem tuas culpas tristes e pretas.
Acorda.
Anda.
A vida é só um piscar de olhos!!
Anoitece.
Amanhace.
Vêm a tarde.
Cai a aurora.
Vai-se a vã existência.
Nem nada, nem poeira ou coisa nenhuma ficará!!
De tudo,
 de todo teu orgulho inútil e vaidade,
só te restará a morte!
Nada permanecerá!
Nem o teu nome!!
Até mesmo o teu nome o tempo apagará da lápide..

Reino dos Embustes, ano II do calendário juliano

Pieter Bruegel “O Velho” - O Triunfo da Morte

Nenhum comentário: