domingo, 3 de julho de 2011

A sombra de Isadora




Não te bastaram os palcos
nem as sapatilhas.
Tu querias a poesia que gritava presa nos cárceres de Moscou.
Não te bastaram os aplausos
nem a cortina azul que te separava da platéia .
Tu querias Wagner a movimentar o corpo.
Já não dançavas..
Parecias levitar!
Já não eras tu.
Eram teus desejos mais recônditos,
o novo que desenhavas colorido
e uma virtude atônita e helênica.
Tu e a essa fera enclausurada,
sufocada,
presa!!
Podia ouvir-te da coxia, Isadora!!
Os gritos silenciosos,
as súplicas atrozes.
Mas tu, dama comum..
tu já não dançavas!
tu sonhavas a morte dos teus filhos no Sena,
tu olhavas o cinza dos telhados..
Essa era a vida..
E a tua echarpe de seda, Isadora,
mortalha vil que te levou ao fim,
tua companheira de travessia!!
Adeus, Isadora, adeus..
Do Hades, sei que fostes à gloria..


Em memória de Isadora e seus pés de leveza no palco azul.
"Adeus, amigos. Vou para a glória."

Isadora Duncan (1877-1927)

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