quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Degredo




para o exílio frio da Sibéria naveguei minha alma.
tudo é branco e gélido!
e o degredo tem um hálito próprio,
de uma cal cinza funesto.
mas eu tenho os teus olhos!
sempre estes teus olhos a me acompanhar..
e então a paisagem ganha cor
e o exílio vira menos exílio.
mas os dias ainda tem aquela negra névoa de degredo
e eu então me sinto meio livre,
meio enclausurada,
meio argonauta,
meio escafandrista.
Alegres, só os teus olhos!!
esses teus olhos de ternura que me olham de longe.
inesquecíveis!
introspectos!
olhos de menino e curiosidade.
olhos que me invadem a pele e povoam a alma..
dois intrusos em mim
a me fazer sorrir
ainda que em pensamento
ainda que no exílio
ainda que de longe..
de mim
de ti
do vento..


Demais, fora tão longe na arruaça, que a derrota seria a prisão, ou talvez a forca, ou o degredo.
(Machado de Assis)

Fotos: D. Possamai

Nenhum comentário: