sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Atlas e eu no mundo visto de longe




Certo dia conversava com Atlas.
Contava-me como era pesado o mundo e como lhe doíam os ossos.
Dizia-me sobre o ofício inexaurível da carga e como lhe pesavam os homens e suas mágoas.
E assim confabulamos, durante horas, sobre o fardo humano.
Narrava-me Atlas que,  às vezes, olhava cansado o universo e que até temia cair-lhe dos ombros..
Mas que havia dias, os ensolarados dias, em que ele refugia-se no mar e no frescor das flores
E lembrava-se então que, mesmo cansado, a primavera haveria de surgir impávida e colorida
E que haverão os colibris e as libélulas, todas aquelas estranhas criaturas, todas elas, as sutis criaturas que o ajudariam  a transportar o pesado fardo da leveza...
E assim, Atlas se confortava.
E então o mundo, o mundo, nestes dias, tornava-se leve e mágico..


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