quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Lisboa do meu entardecer


E andava por Lisboa a encontrar as esquinas de Pessoa e os azulejos antigos
e foi então que surgiram, impávidos, estes espondaicos..
Eis que topei uma pedra pelo chão!
Já não era uma pedra,
era todo um poema em linha cinza e dura.
Versos que nasciam em turbilhão,
sem sentido, sem nexo, sem ínterim.
Palavras que cresciam da grama, das árvores e do Tejo.
Letras que invadiam os comboios no Baixo Chiado.
E tudo me chamava.
Tudo me atordoava.
Eu viera e cá estava tomada pela língua.
E cá eu estava a cantar os versos portugueses como outrora fizeram os lusíadas de todas as nações,
a embarcar nas Pintas, Ninas e Santas Marias do nosso século,
eu a colorir a alma no reflexo do sol sobre a ponte e o Tejo,
o Tejo que me olha plácido.
Eu a encantar-me do teu charme lusitano e sagaz.
A aventurar-me outra vez pelos teus muros mouros
e ouvir-te cantar Alfamas e São Jerônimos..
eu a perder-me em ti, Lisboa do meu entardecer.
A andar as tuas ruas estreitas e esmaltadas,
a beber teu vinho mágico,
teu Porto vintage,
tua simpatia atroz
teu heroísmo esquecido..
Eu a perder-me em ti, Lisboa de todos os fados e Amálias..
A encontrar-me, minha senhora, nos teu labirintos, perdida..


A noite é cega, as sombras de Lisboa
São da cidade branca a escura face.
(Sérgio Godinho)


Ao amigo Manuel Pintor, escritor de infinitudes..
E a todos os poetas portugueses que grande e sabiamente praticam o ofício da pena, os gigantes deuses de alma nua..






fotos: daniela  possamai

2 comentários:

Gourmet disse...

Lisboa ao entardecer... saudades!
PS.: Eu podia jurar que fui eu que tirei aquela primeira foto! tenho uma exatamente do mesmo angulo e com a mesma luz.

A filha da Baronesa - D. Possamai disse...

Carla, minha querida!!! Saudades de ti..
Lisboa é verdadeiramente uma cidade onde me perco..
Eu adoro aquela foto exatamente pela luz, mas confesso que dei uma aumentada no contraste..
Um beijão.