quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O dia em que perdi minha alma em Beirut



Escuta!!
Escuta o despertar da pétala que voa e chega à tua janela.
Faze silêncio!
Ouve as horas pálidas e as flores que se lançam aos teus pés como paixões suícidas.
Pisa leve!!
São de chumbo os passos.
Não firas a pétala caída.
Não pronuncies o desencanto nem pratiques o distrato.
As horas são sempre jovens!!
Não as repudie.
Não as canse com o mesmo.
Nem as aborreça.
Dai novos ponteiros ao relógio azul,
Renova a areia da ampulheta e a água da clepsidra
porque a vida, esta sim, é única
mas as horas, as horas, todas elas, são novas e inexatas.
E eu, eu já não sou a mesma
nem as minhas horas são iguais..
Trago em mim todos os abismos e todos os barcos
porque em mim cabem os mares, os desfiladeiros e todos os fiordes
eu mesma sou um penhasco a farejar os zéfiros e todas as pétalas coloridas
eu mesma sou o barco náufrago no Mar Vermelho e distante
eu navego as ondas e as todas as nuvens do oriente
eu, eu mesma, o pássaro, o mar e todo o abismo..




fotos: d.possamai

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