quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A mão estendida na Gare de Lyon



Como navalha tua mão penetrou a alma e as mazelas.
Vi alí a mão suplicante de Claudel,
os dedos de choro estendidos
a dor desconfortante
a agonia desesperada
Não esqueço da tua mão, mulher..

Quisera dar-te uma flor.
Quiçá algumas moedas,
mas não te dei nada..
nem um sorriso.
Faço-te esses versos
e te deixo minhas lágrimas sob o papel onde escrevo.
Compadeço da tua dor, desconhecida!
Dói-me a alma e a cara navalhada.
Dói-me a vida ao ver-te.
Ver-te humilde, miserável, suplicante..
Nada te dei, mas rezo.
Rezo ao mundo,
que o mundo te dê mais que moedas.
Que o mundo faça brilhar teu olho,
que olhes o futuro porque hão de vir os dias iluminados
e tu não haverás de suplicar.
Que o mundo te dê mais, minha senhora!!
Que saias das escadas do metrô,
que te libertes destes negros véus
que andes pela superfície e o sol inebrie teu rosto.
Que finalmente sim, estendas a tua mão..
e da tua mão de súplica surjam as flores e todos os afagos..



Paris, 05 de outubro de 2011.
Sentada, na Gare de Lyon, uma muçulmana suplicante,
um olhar triste e a mão estendida..
O instante congelou na minha memória..
E de ti, desconhecida, faço estes versos..







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