segunda-feira, 17 de outubro de 2011

No jardim de Monet eu escrevo - II Ato



No jardim de Monet eu escrevo às ninféias e todas as suas pétalas..
Eu encontro os colibris e as borboletas numa dança aos tons de outono,
onde outrora, eu vira, bela e mágica, a primavera..
Entre as pontes e as flores, eu vivo ávida a vida e as minhas horas,
e são tantas e tão raras, como as estrelitzias e as dálias..


No verde da tua tela, poeta dos pincéis, a esperança numa luz renovada..
Um verde peralta, menino,
quiçá escondido entre as sombras e os sonhos..
E o que dizer dos amarelos,
os tons ocres,
os azuis desbotados do teu céu sem borracha..
Mas há também as matizes sem nome,
os reflexos do sol,
as nuances disfarçadas de folhas..
Hão de sorrir as pinceladas mais tênues como as estátuas de Canova,
E hão de chorar os negros borrões como trovões a matizar o sol de cinza..
No teu jardim, Monet, há uma aquarela infinita de cores e um pincel..
 um só pincel,
o da tua alma..


No teu jardim, Monet há a vida,
a minha, a tua e a de todas as flores..
Mas há também a morte e uma certeza,
a certeza de que amanhã virá também a primavera..
Ainda que do teu olho brilhem areias e brumas..


No jardim de Monet eu nova e finalmente brindo ao meu amor,
 as minhas estrelas e o teus pincéis, 
Eu brindo a vida, o outono e a primavera..
Que seja florida a vida..
que seja leve como são foram tuas sutis pinceladas,
 como fora outrora,  teu óleo derramado sobre a tela..



A cada estação renovam-se as cores e todas as folhas. Poderão mudar as matizes, mas a alma, a minha alma entra sorrindo no teu jardim..
Giverny, 02/out/2011.
Fotos: Daniela Possamai

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