quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Das minhas leituras de embriaguez e as flores pintadas


E a mim sempre encantaram os ventos, os abismos e a poesia..

Desde a minha mais remota noção de humanidade não há dia em que eu não me embriague de poemas,  e numa alusão ao parnasiano Augusto dos Anjos - essa sim, é a minha companheira inseparável.
Há alguns dias porém, li algo tão belo que encheu de lágrima meu olho. Um verso descrito pelo próprio autor como plágio de Quintana, na verdade, os versos do poeta Marcelo Soriano, filho dos mares e Oxalá. Lhe perguntei se podia inserí-los aqui, no meu templo, e a resposta foi:  - "Tu podes tudo, hoje é teu dia, Dan-Yê!!" dizia-me ele se referindo ao sábado, dia de Yemanjá, um dos meus orixás..
Deixo aqui os versos desse sensível santamariense guri. Saravá, poeta!!  

"Tenho certeza que o Quintana escreveu isso, mas o quero plagiar: " Não componho versos para ti, ó amada, os versos que componho são de ti."


Van Gogh - Sunflowers

Há também outro poema que me fez chorar, as palavras comoventes de Dani García.. " El desierto - un poema de amor sin amor..

"Te voy a hablar de amor sin decir nada bonito.
No diré besos, atardeceres, rosas, ternura, piel.
Que la tierra se trague todas las palabras,
que a mí con solo dos me bastaba.
Porque ahora,
Tengo los ojos rojos de tanto olvidarte,
Y todo mi yo se resume en una bocanada de vodka,
en un trago de humo azul venenoso.
Que se despedacen todos los poetas,
que mueran destrozados en un torbellino de cocodrilos rojos.
Toda dulzura se escapó entre mis huesos,
Y podría congelarla con mis dedos de escarcha.
No volveré a saber nada de ti.
No quiero volver a saber nada de ti.
Las ciudades son invernaderos de soledad
y arde el desierto en mis sabanas abandonadas."



Monet - The Spring

E por fim claro, uns versos do poeta Eugênio de Andrade, um dos tantos portugueses que me invadem a alma.. Debati meu olho sobre ele esta manhã..

"Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."



Chagall - The woman and the roses

Nenhum comentário: