quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Insônias e outros contos




Insônia, menina levada, acordou mais do que desperta - acordou ávida!! Vestiu seu trágico penhoir e agora, sentada na cama, chora o amor de Morpheus, seu anelo fugidio!!

Morpheus, o príncipe desencantado, a abandonou há alguns dias.. Não lhe telefonara desde então, não lhe mandara nenhum outro beijo e sequer lhe devolvia o sono.

A dama, jovem Insônia, curiosa e febril, consultava seus oráculos - todos apontavam para o amor, o novo amor de Morpheus - a linda e perplexa Adrenalina..
Morpheus fugira com Adrenalina, deixando abandonada Insônia e suas camisolas de seda..
Adrenalina lhe roubara mais do que a vida, lhe roubara os sonhos.. e sem sonhos, a jovem Insônia fenecerá em lágrimas e olheiras..

- Volte, Morpheus ingrato!! - rezava ela aos deuses..
Caíam as noites e adentravam as auroras sem que Morpheus retornasse aos braços de Insônia.

Mas eis que surge do horizonte amarelo, um amável cavalheiro noturno - Stylnox 10 mg.. Espantosa e rapidamente, Insônia se apaixona pelo lindo e loiro cavalheiro. - Ahhh, aqueles olhos!! Dois mares azuis a me enclausurar a alma.. - dizia Insônia.

Gentil, Stylnox finalmente lhe devolvera o sono e a mágica alegria dos sonhos..

Casaram-se os dois e vivem agora, felizes, à espera das cegonhas noturnas e todas as suas fraldas..

Fim


"Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo." (Álvaro de Campos)

Nas madrugadas de insônia minha imaginação ganha contornos inquietos.
Estes são os registro pueris dos meus voos noturnos..


Morfeu - Houdon (Louvre)
foto: daniela possamai

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