quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sermão da nova boa aventurança 




Fazia frio e o frio vinha acompanhado de desemparos e outras sedas. Era noite. Luziam no céu, estrelas e nebulosas..
E então,  ouviam quietos a boa nova, os cronópios de todas as galáxias..
O mestre poeta professava a nova aventurança:  

"Bem-aventurados os lúcidos do nosso tempo.  
Bem-aventurados os que não viram e não creram.
Afortunados os que não praticam os métodos,
os que não engolem as pílulas da fé,
os que têm esperança e sonhos,
mas não tem senhores nem acreditam em equivocadas leis.  
Bem-aventurados aos que não aceitam à falsa culpa imposta pelos ignaros doutos.
Aos que vivem sem deuses,
 aos que não depositam seus desejos e saúde aos queres e desígnios de um falso deus.
Bem-aventurados os que não tem nenhum  ismo, porque é deles a verdadeira sabedoria..  Aventurados os leviatãs do nosso tempo,
os augustos e os cesáres do novo mundo,
os capitães de todas as naus naufragadas.
Bem-aventurados os anônimos e aqueles que não sabem rezar,
 porque é deles o novo mundo e todas as suas árvores.. "

Finda a boa nova, houve a libertação total. Os Cronópios riam efusivos.. E então os poetas salvaram o mundo!!!

Que sejam eles os espíritos livres do nosso tempo.

"Aquilo que choca o virtuoso filósofo deleita o poeta camaleão...
Um poeta é o que há de menos poético em tudo o que existe;
como não tem identidade, tende continuamente a encarnar em outros corpos...
O poeta não possui nenhum atributo invariável;
certamente é a menos poética de todas as criaturas de Deus." Keats


Poor poet - Carl Spitzweg

A incerteza do poeta - Giorgio de Chirico

Nenhum comentário: