segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os falsos poetas e os santos profetas




Morreram todos.
Morreram na cruz.
Morreram como morrem os mortos,
em negros e funestos panos,
numa cruz amarga e tosca,
Adornados de uma moral vestida de injustiça
Em espinhos de ódio e julgamentos alheios
Morreram todos,
Morreram os falsos poetas
Porque não há poesia que nasça do jaleco encardido
Nem da vontade inútil
a poesia é a filha primeira da nudez
irmã da bondade e da beleza
E são sempre covardes os versos dos falsos poetas
Covardes e apócrifos
Como são os rinocerontes disformes

Morreram os santos profetas
Porque não há boa nova e nem ingênuos rebanhos
Nem mansos são os homens
Morreram ambos escondidos sob o escudo putefrato de Aquiles
Morreram envaidecidos
Porque grande mesmo são suas vaidades amarelas e o seu falso discernimento
Morreram sem lápide nem honras
Sem réquiens e sem sinos
Morreram na hora exata e inequívoca,
ordinários, na vala comum
E sem lápide
Não sabemos sequer o seu nome.

"O evangelho morreu na cruz."
Nietszche - O Anticristo


20/ago

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