segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Lamento do amor perdido



E eu vou cantar ao amor,
ao amor perdido, ultrajado, gasto..
E escreverei estes versos com cimento,
pelo chão da noite, na escuridão - que é pra não vê-los!
Que é para que sejam pisados como gramas pelas vacas.

Não há nada de belo num amor perdido,
não há grinaldas nem flores,
nem melodias alegres.
Há um luto negro infame e dolorido,
um par de promessas arremessadas ao chão como lixo
e um corte doente, sem amálgama, na vértebra de sustenção.

E se canto ao amor perdido eu também canto aos naufrágios.
Porque o amor perdido é o próprio barco náufrago
cujas velas desapareceram como espantos.
Sim, caro amigo, não há nada de belo num amor perdido..
Não há nada heróico.
Não há nenhuma benção
e nenhum louvor..

E essa canção vai assim ficando.
Assim quieta, assim pálida..
Morrendo aos poucos
Como os meus olhos gastos,
fenecendo de tanto olvidar-te..


Me vesti com a dor da perda!!
E quando fiz estes versos, meu queridíssimo amigo Henrique..
era pensando em nossas conversas..

Turner - Naufrágio

2 comentários:

Anônimo disse...

Depois de nossas conversas, me deu saudade de ler seus poemas...realmente sao lindos!
Este, em particular, eu amo...tem tudo a ver: lindo e doce
E com esse video
Bem nossa conversa
bjao
Paty

Daniela Possamai disse...

Pat, queridíssima! Obrigada!!!
Também gosto desse poema.. E sobre as nossas conversas, amo tê-las.. Sempre gratificante dividir momentos com alguém que a gente carrega no coração..
Um bjo na alma..
D.