sábado, 14 de janeiro de 2012

Dos amores imprevistos e outros bichos



E tem-me sorrindo, suspirando beijos invisíveis, esses amores imprevistos..
Tem-me indefesa, desarmada.
Tem-me braços abertos e boca de volúpia..
Mas quando chegam -  esses amores - chegam rompendo a porta da casa.
Chegam arrombando e confundindo esses pensamentos antigos, tão bem guardados..
Amores imprevistos nos desenham corações com letras de cálamos.
Nos têm como abraços longos e impermanentes.
E, nesse vazio oco, o amor faz casa..
e aninha suas pernas náufragas cansadas de ondas..
O amor, essa surpresa, lança âncora e finalmente aporta..
Que não mudem os mares, nem os portos..
Quebrem-se as velas do barco para que ele não fuja, bicho indócil..
Há de ser imprevisto o amor,
mas também há de ser presente,
há de ser tudo, há de ser voraz, leopardo faminto na savana..
E sobretudo há de ser alento, alento como és tu e o teu abraço..



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