segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Poema da Separação



Cortaram-lhe os pulsos, o amor.. 
Tomou-lhe uma rasteira. 
Envergonhado, nem sai de casa. 
Perdeu-se na calçada, o amor. 

O amor não sobreviveu à falta de rosas. 
Morreu na pintura da parede, 
Pincelada após pincelada. 
Morreu pelos cantos, 
Sem carinho, 
sem afago,
sem misercórdia.  
A golpes de machado e martelos.   
Só cabiam-lhe as cicatrizes, 
Nem remendos tinha mais. 

Dividiram-se os discos e os talheres,
Os livros e os panos de prato. 
E o amor partiu porta afora. 
Sem rumo, 
Sem destino. 
Incerto como um adeus.  
Afundou-se na lama e na vodka.
E sozinho, 
sem casa nem escombro,  
suplicante, vive na rua, 
mendigo de outras mãos.. 




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