sábado, 17 de março de 2012

Mais um poema feito de ti




Eu poderia pronunciar-te, amiúde, aos gritos, em grandes megafones, pelas ruas.
Mas eu prefiro dizer-te bem baixinho,
com minha voz mais doce,
que é pra que me ouças,
que é pra que a minha voz chegue a ti como essa canção desesperada..
Por favor escuta-me, amor
Recolhe tua armadura e deixa-me habitar tua alma
Desnuda-te..
Deixa que eu cuide de ti e zele teu sono
Deixa que eu faça sorrir o teu dia
E que despertes a noite ao sabor de um beijo..
Um beijo apenas..
esse beijo meu,
cálido,
roxo de saudade..

O beijo - Klimt

Poema do amanhecer




Um poema que nasce sem grandes pretensões ou devaneios
Um poema de linhas gastas
Essas linhas minhas que dizem tanto de ti
Que insistem em dizer-te em pormenores
Que relevam-te tão amiúde e meu
Um poema pra ser mantra
Pra te cantar em oração
Porque eu já não invento mais sinônimos de ti
Tu és toda uma repetição
Tu és toda uma devoção de santos e profetas
E se insisto em dizer-te, meu amor
É porque já não cabem em mim mais os teus desenhos
É porque tu és tudo o que sacia, o que transborda, o que alimenta..
Porque simplesmente em mim reside, como flor amanhecida, o frescor orvalhado da tua boca..

Poema n. 1 - 28/02/12


Poema n. 4 - Um coração que morre



Eu tinha um coração tão violeta
Violento
Duro,
Que sangra
Que quer mais
Que pede mais
Coração criança insaciável
Sem educação
Sem propósito
Insano
Desmedido
Orvalhado e lacrimoso
Distante
Ausente
Remendo
Pretérito
Preterido
Cansado
Que bate
..
Bate
..
..
Bate
..
..
..
Parou


Poema n. 3



E fico a me perguntar do que precisa o mundo
não serão poemas ou flores
ou toda essa gente que finge ser diferente dentro dessa mesmice insuportável
Não sei, nada sei..
Há momentos em que o mundo - esse mundo - me parece tão estranho
como um labirinto selvagem cercado de grandes e misteriosas serpentes
Há de se ter medo?
Há de se arriscar o pescoço
Também não sei, eu NADA sei..
Eu nada sei de mim, que dirá do mundo - esse estranho assustado e poluído
Eu só queria para mim a coragem
uma coragem infinita e o escudo de Aquiles
e então sairia pelas ruas e praças
andaria pelos arrabaldes e cometeria todas as desventuras.
Dane-se a moral, as velhas tábuas, a culpa católica, o super-ego 
e toda essa infinidade de coisas que não servem para absolutamente nada
Joguem tudo isso no lixo
poeira
sujeira
estrume
Montanha de nada enegrecido, velho e ultrapassado
Ahh o mundo, esse mundo envenenado
de flores envenenadas, de gente feia e fútil
Hei de vivar pó um dia
Hei de virar chuva,
nuvem,
ou nada..


O nascimento do poema



E os desavisados sempre me pergutam de onde nascem minhas poesias..
E eu, muito calmamente, lhes digo:

A poesia nasce assim, de palavra miúda, entre as pernas da cadeira e um lápis sem ponta..
Ou então catando nuvens, lá no quintal de casa..
A poesia é quase um tropeço,.
Vêm a pedra e lá estará ele, um verso ingênuo, descrito no caminho..
As canções minhas vêm da alma, esse bicho inquieto, pouco domesticado..
E eu faço poesia de tudo,  de mim, de ti, do lixo..
Mania minha de procurar beleza até onde não há..

Em torno dela - Chagall