sexta-feira, 6 de abril de 2012

Carta aos ignaros


E então eu escrevo estas cartas para imortalizar-me..
Há em cada palavra minha
ainda que ínfima,
uma gota de eternidade.
Sim, tu me perguntarás:
Acaso as linhas não se apagarão um dia?
Acaso tu também não perecerás certo momento???

E eu vos direi:
Sim, um dia, fenecerei!!
Fenecerão esses papéis
Fenecerá o mundo e todas as árvores
Mas as minhas linhas,
Ahh, estas não fenecerão..
Elas gritarão a eternidade.
Por que haveria de morrer aquilo que vêm da alma??
Por que desapareceria do mundo os tiranossauros-palavras??

Eu não vos deixo nenhum paradigma,
Eu mesma não sou um paradigma,
Sou um protótipo de confusão e algum escárnio,
Mas eu ainda sei rir..
E se rio, senhores, é porque sim, serei eterna..
Se rio, caros nobres estapafúrdios, é porque as minhas palavras são águas.
E é de rio que são feitos os abraços..

05/04
"O que existe falta sob a eternidade;
saber é esquecer,
e esta é a sabedoria e o esquecimento."
Manuel António Pina

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