quinta-feira, 3 de maio de 2012

Poema nr. 2 - Monólogo da solidão




Eu tenho uma solidão tão indefesa
que posso aninhá-la nos braços e cantar-lhe uma canção de ninar.
E é tão premente essa dama
que sinto, navegar em mim
todas as desventuras brancas e as multidões vazias..
Minha solidão é tão minha que, amiúde, eu a tenho no colo,
sentada comigo, na cadeira vazia.
Porque a única coisa que sei de mim é que vivo com ela
E que juntas, em doces devaneios, viajamos os horizontes azuis

Por vezes, eu a pinto de branco..
um elefante gigante e branco
que me estremece as entranhas e pesa os ombros.
Minha solidão é tão cheia de significados
que nem os ouso traduzir
e tão grandiosa
que é preciso outra casa para acomodá-la!!
E ficamos nós duas, minha solidão e eu,
lá,
estáticas,
a olhar as paredes nuas
a contemplar
o que já não está mais lá..

28/02/12


Room at Arles - Van Gogh


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