quinta-feira, 3 de maio de 2012

Poeminha para os versos suicidas





Mas até mesmo os versos têm um tempo efêmero..
Muitos deles já nasceram velhos,
Alguns, rabugentos e ultrapassados..
Outros, jovens versos de vida breve,
sim, os que acabaram de se suicidar,
jogando-se do décimo segundo andar.

Há versos, porém, que embora pareçam eternos,
morrem de um jeito atroz,
porque o amante, enfurecido, os atira pela janela,
e eram os poemas de Pessoa,
que, atropelados no chão pelo caminhão de lixo, exalam seu último suspiro..

Há versos orgulhosos,
impávidos - pavões no cio -
tão ufanos, que mal conseguem sustentar sua empáfia..

Mas eu, eu gosto mesmo é do verso tímido,
o verso singelo..
Aquele versinho menino,
tão envergonhado,
que ruboriza ao conseguir beijar,
pela primeira vez, a namorada..



2 comentários:

Gourmet disse...

Encantador, Dani!

Anônimo disse...

Dopo tre settimane, mica una riga??