quarta-feira, 6 de junho de 2012

Liev, o velho poeta fujão




Estavas tão feliz!
Tão ébrio de azuis quando saíste porta afora,
que até a porta abrira para que voasses livremente..
(como se a ti tivesse deus permitido asas!!)
Te foste, velho Liev..
foste buscar a vida.. (ainda que um bocado aventuroso dela).

Espera.
Não te vás ainda..
Senta-te um pouco.
Diz-me mesmo o que é a vida..
Conta-me da coragem tua ao fugir de casa..


Não são muitos os velhos meninos que fogem de casa aos 80 anos..
Eu mesma só conheço a ti - é que menino és tu!!!
Tenho, cá para mim, uma alegria tua de sonho realizado..
É como se fizera o mesmo,
Se pudessem minhas pernas cansadas correr pelas locomotivas..
Se te alcançassem em Astapovo..
Ah, Liev!
E que aventura essa tua fuga..
Uma deliciosa viagem em busca de inomináveis horas

Foste contente, eu sei!!!
Infeliz mesmo fora aquela bactéria intrusa que te ousou invadir, levando-te para longe deste mundo..
Deves estar em algum planeta longínquo e frio (quiçá uma Rússia extraterrena)
E por certo escreves, ainda agorinha mesmo escreves..
(Serás tu o redator das longas e incompreensíveis leis do onipotente??)

No entanto, meu caro amigo,
se te sentires um pouco entendiado,
pega tua pena e brinca de deus..
um deus bem maluco,
um deus que escreve cartas anunciando, para ontem, o fim do mundo..
Adeus, Liev..
Adeus..
Que ao menos Cérbero, aquele cão mal-humorado, tenha sido gentil na tua chegada..


04/jun/12
Para Tolstói, o velho menino que fugiu de casa aos 80 anos.. 



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