segunda-feira, 11 de junho de 2012

Poema inominado



Que as minhas linhas não morram no chão atropeladas pelo caminhão do lixo
Que elas se perpetuem no horizonte
Que brinquem, mendigas, à procura de colo
Que sejam minhas linhas o prenúncio da primavera
Porque eu não tenho flores e nem sei cantar
Eu só sei colorir as partituras..
E as minhas sinfonias são as linhas soltas, os poemas dispersos, os versos órfãos..
Colha-os!!
Eles estarão lá, sorrindo,
no jardim que acabo de desenhar,
agorinha mesmo,
debaixo dos teus pés..


21/05/12


"Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo."

Alberto Caeiro





fotos: d.possamai

Um comentário:

Anônimo disse...

Gosto das linhas fora da partitura!