segunda-feira, 4 de junho de 2012

Poeminha da hora imprecisa





Às vezes, sou tão inquieta que resolvo acorrentar-me..
É como se a professora me deixasse de castigo, proibindo-me de ver o sol..
punindo-me do mundo..
E olha que nem versos eu fazia quando criança..
Quando menina me agradavam os entardeceres com meu avô e as ovelhas..
Eu sempre tive uma inexplicável paixão pelas ovelhinhas que nasciam no frio..
Pareciam tão indefesas..
Talvez eu mesma fosse indefesa e admirasse nelas a mesma função..
Na infância, me inquietavam os peixes.
Eram tão ansiosos naquele mundinho de vidro
e me punha a imaginar como seria metê-los numa piscina de água quente..
Ingenuidade a minha..
Eles de súbito morreriam perplexos..

Passados poucos anos, minhas curiosidades cresceram..
Eram as constelações que me confundiam..
Era imaginar como seria se o mundo, certa vez,
voasse para fora do eixo e caísse pelo infinito como uma maça apodrecida..
Fui saber de Newton anos mais tarde e que tristeza a minha..
O universo não despencaria jamais, mesmo se as tias gordas ficassem mais gordas..  Que absurdo desfecho!!!

Hoje, no entanto, tenho outros desassossegos..
A mim inquieta o amor, essa coisa terrível..
Como podem ser assim tão perturbadores os amores dessa vida..
E ainda há estranhos seres que dizem existir outra - outra vida atormentada - seriam ainda os mesmos amores???
Por Diós, não me puna com essa fatalidade..
De amores, basta o meu!!!!
E o teu, que é meu também..

04/jun/12



Fotos: d. Possamai

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