quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poema de palavra fria



E como não aprendi a cantar
Faço eu esses poemas
Esses longos e intermináveis poemas de amor
E serão tantos
Que mesmo que eu escrevesse o resto dos meus dias
Faltariam-me palavras
São tantos e tantos os meus poemas
E por isso amo as palavras soltas
Aquelas palavrinhas que renascem esquecidas no meio da gaveta
A sentença miúda que me olha atônita no canto do jornal
Ou aquele vocábulo que invade a alma sorrateiro e me persegue a manhã toda.
É com essas palavras soltas, amor, que desenho teu retrato..
Uns rabiscos teus que faço na mente para sempre lembrar-te
Para manter-te vívido nessas longas noites,
Essas noites frias..
As noites em que eu abro a porta, amor, mas tu não estás..


17/jun/12


"A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
Carlos Drummond de Andrade - fragmentos

Hopper

Nenhum comentário: