quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poema para a tua boca




Eu te peço perdão por te amar como ontem.
Eu sei, meu amor é estranho!
Mas eu te amo assim, assim estranho e amiúde.
Eu te amo nesses intervalos entre a manhã e a madrugada
Nas horas frescas..
Naquelas horinhas preguiçosas e sonolentas..
Eu te amo quando o dia é tão somente uma aurora.
Quando o orvalho vence a flor e o rouxinol adentra devasso a janela..
E te amo também naquele preciso momento em que o sol beija o mar,
em que a tarde se encerra e se abrem os bares..
Te amo quando a luz invade a cidade escura..
Quando o brilho da estrela dança apaixonado com a noite enluarada..
Sim, perdoai o amor..
Perdoai esse meu amor de ofício..
Esse meu amor que é quase um afazer..
Há de se ter mãos leves  e pés de algodão..
Há de se ter cabelos longos e vento
Há de ser ter beijos brancos..
E sobretudo, há de ser ter dentes..
Sim, amor.. dentes!!
Ahh, não rias..
Esses dentes meus, para mordiscar, de leve, a boca tua..




 "A tua boca. A tua boca. 
Oh, também a tua boca. 
Um túnel para a minha noite. 
 Um poço para a minha sede"
Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito sedutora, poetisa! Quem derá fossem minhas as tuas linhas.