terça-feira, 7 de agosto de 2012

Poeminha da hora da descoberta




Dir-se-á que é preciso razão,
Dir-se-á que é necessária a lucidez
E eu, nesta nau desgovernada, lhes digo
Nada disso é preciso!!
Jogai  fora esses axiomas equivocados.
Que sejam revistos esses sofismas antiquados..
Na vida é preciso loucura e um pouco de apostasia..
Não sejais escravos da razão nem do iluminismo..
Não deixeis para trás vossos sentimentos quase animalescos
Domai,  sim, esses falsos senhores, essas facécias doutrinárias, esses partidos políticos..
Domai,  sim, os equivocados..
Mas não abandoneis a vós mesmos..

Ide, fazei de vós um deus..
Um deus imenso..
A quem podereis temer?
Não sois vós, na vossa grandiosidade humana, o maior exemplar de divino?
Não sois vós, na terrível simplicidade da natureza, o mais justo espectro de demiurgo??
Vós sois o senhor de tudo!!
É em vós que reside a benção. 
Vós sois o ungido, o santo, o divino..
E em vós se compõe o caminho da graça!!
Não vos desvieis..
Não vos detenhais..
Vivei assim glorificados..
Vivei como pequenas jóias lapidadas..
Quando vos descobrirdes deuses, o mundo será novo e surpreendente..
Quando vos descobrirdes deuses, a liberdade se fará no azul..



"A minha Religião é o Novo. 
Este dia, por exemplo; o pôr do Sol, 
estas invenções habituais: o Mar.   
Ainda: os cisnes a Ralhar com a água.  A Rapariga mais bonita que ontem. 
Deus como habitante único. "

 Gonçalo M. Tavares, in "Investigações.  
Nascimento de Vênus - Botticelli

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