quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poeminha da hora do assalto




Meus deus, que poema é esse que invade a alma perplexo?
Que velocidade têm essas palavras que se transformam num algoritmo indecifrável?
Que desenham em mim mesma, nesta pele pálida, um manuscrito interminável..

Sim, posto que a minha vida é assim, feita de auroras e linhas, a mim resta escrever.
Que sejam as horas crianças frágeis de esperar,
que sejam os minutos os brados pueris do poeta..
Porque a mim, que escrevo, pouco importa ser dia ou hora..
É preciso estar sempre atento - as palavras são quase assaltos -
vêm de súbito e fortemente armadas..
e te roubam a cada dia..
e a cada segundo um pouco de ti se vai levado
Cuidado, poeta..
de tantos roubos já nem tens mais roupas
de tantos roubos já vives nu..

Foge, poeta!
O inverno chegou e tu já não tens nenhum trapo para cobrir-te a alma.
Agasalha-te!
Pinta um terno encardido e brinca de advogado..
pinta um jaleco puído e engana as pobres moças apaixonáveis
Inventa outra coisa..
Poeta já és tu..
e então, por favor, te veste de Deus e reinventa a humanidade..


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