quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Poema do amor qualquer




 


Dizem que andei por aí perdida,
procurando marés que me levassem para fora do oceano.
Dizem que sou eu o próprio naufrágio.
Que vivo submersa nas paredes abissais..
Falam também que me aprisiono em cárceres de ilusão,
que leio demais,
que penso demais,
que amo demais..
E eu, ante vós que sois um bando de bisbilhoteiros, vos digo..
Sim, sou abismo e habito profundezas..
Sim, amo o mar e portanto sou naufrágio..
Sim, leio demais, penso demais, mas hoje, amo de menos..
Não há razão para fazê-lo.
Hoje,  não são teus braços barcos
Nem teu corpo é aquário
Hoje os teus olhos são tsunamis verdes
E permaneces tu atracado ao mesmo velho cais..
Enquanto eu, naufrágio, afundo assustada em caravelas ultrapassadas,
Naufrago as Pintas, as Ninas e as Santas Marias
São meus os barcos frágeis..
São minhas.. as outras enseadas..


"És tu e não o sabes, pulsa-te o coração e não o sente... 
Que plenitude de solidão, mar solitário!" 
 Juan Ramón Jiménez, in "Diario de Un Poeta Reciencasado"

 
Claude Vernet - Naufrágio

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