quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Silêncio e uma boca de volúpia



E então penso em ti!!
E é como se todos os meus neurônios pronunciassem o teu nome.
E tu vais me invadindo,
Ocupando minha pele e a minha vida,
Vencendo meu castelo de areia..
Derrubando-me..
Deixando à mercê de tudo que és tu..
E então eu vivo assim, num quase abandono de mim..
um abandono cujo traço tem o teu rosto..
porque é em ti que navego,
é de ti que vivo imersa..
Mas eu sinto essa dor,
Essa dor de ausência tua..
E porque tu não estás o dia perde a graça
E as nuvens já não são nuvens
São meros algodões troposféricos
E quando chove, amor.. um poeta chora..
E assim, imersa de ti, vou perdendo a fala, a voz miúda, o sono.
Eu perco o chão!!
E não há minuto da minha hora em que eu não te viva
Nem segundo do meu dia em que eu não te queira..
Eu tenho uma longa febre
E uma boca ávida
Essa boca minha.. feita de volúpia tua!!!

 "E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças..."

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"


Canova - Ninfa dormiente

Nenhum comentário: