segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pequeno poema triste



Escuta esse meu último movimento

Porque dói.

Dói como veneno corroendo lá dentro.
Dói como a perda da visão,
como os acidentes aéreos e os barcos à deriva..
Dói porque já não somos dois..

E eu insisto num tempo onde tu afagavas meu rosto
E me punhas, indefesa, nos teus braços..
Tu gostavas tanto da minha boca..
e eram teus os meus quadris..

Mas isso era quando tínhamos a mesma cama
e eram feitas de laços nossas pernas..
Hoje estamos quebrados e ardem nossos ossos como feridas abertas
Hoje somos pedaços aos abutres e vos convido ao meu enterro..

O amor suicidou-se afogado nas rosas e nas mentiras.
Fechem o caixão. Enterrem-no de uma vez!!
Morreu o amor de insuficiência respiratória.
Prematuro. Prematuro como eu e o esse poema maldito.

O amor ruiu como ruíram as velas e os cais..
Tudo é outrora e só há pó nos meus olhos..
Tudo já não é nada!
Nada..

(Aos poetas caberíam os poemas de amor..
Os desamores que fossem morar em Saturno, largados como poeira cósmica..
Sós como cachorros abandonados nas esquinas de uma cidade fantasma.)

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