domingo, 11 de novembro de 2012

Poeminha da hora da separação



A fumaça,
o desacordo,
a impaciência.
Alicerces de um  desamor..

Os beijos foram jogados ao vento.
As ternuras escoaram pelas ruas.
E o amor, cambaleante de outros tempos,
dilacerado, morre..

Ficaram os imóveis, os tapetes, as pratarias - monte de objetos inadequados.
Restaram as cinzas do teu cigarro aceso.
Restaram os porta-retratos emoldurando a felicidade de um dia de outrora..
Restou um vazio aninhado no peito
e uma porção de senãos sufocando a alma..

O grande amor morreu esvaziado de carinhos e abraços.
Morreu trapaceado e enganoso.
O grande amor - falso como a política.
Vil, como as arbitrariedades.
De plástico, como as flores velhas..


"Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor."
Carlos Drummond de Andrade


2 comentários:

Gourmet disse...

Dani, não tem como explicar... as coisas que você faz com as palavras... Lindo esse poema!

Daniela Possamai disse...

Carla, minha queridona!!! Muitíssimo obrigada.. Fico muito feliz de saber que gostas dos meus poemitas. A gente pode trocar meus devaneios pelas tuas delícias.. Que tal??? Um beijo no coração. Saudades de ti, guria!!!