sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Poeminha sem nome nr. 30.024



Ohh!!!! Não, senhores
Puteiros, palavrões, parlapatices,
Não, nada disso é permitido
Vivemos hoje sob a égide do bom mocismo
Da não contrariedade
Da infrustração..
E eu vos digo, na minha falsa humildade,
Sim, porque é preciso dizer que a humildade morreu hace tiempos
A humildade jaz nas cercanias dos vossos umbigos
Rodeada de Facebooks, Instagrans e sua caterva..
Acometidas de uma i-humildade, de uma i-existência..

Falemos sim do bom mocismo
Do que é permitido, do que é o ideal.
Falemos do esvaziamento de abraços e do virtual preenchimento de espaços..
Falemos de quantidade, de achismos, de vaidades, de cultos à irrealidade da vida..
Eu, na minha falsa humildade, vos lembro da chatice desse mundo
Ora, senhores, vivemos em anos imensamente peculiares,
numa época que me parece a forja de Hefaísto à Aquiles..
uma era de superficialismos massificados..
Vivemos como vovós pudicas potencialmente ofendidas,
Daquelas que elevam suas mãos à boca e "ohhh, meu deus, que grosseria" - dizem elas sob a arbitrariedade da opinião alheia
Daquelas que se chocam ao enfrentar a crueza da rua e a benevolente maldade humana..
As mesmas velhinhas, cuja moralidade é construída sobre tijolos e alicerces de idealismo..

E eu, do alto da na minha nuvem,  vos digo da chatice desses anos,
Vos peço um botão de "não curtir"
Vos convido a abandonar o muro e adentrar a floresta..
Eu vos convido a assumir posições e também a mudar de ideia
Abandonai pois "o grande irmão", a hora de rir, a hora vossa de plástico..
Chorai, senti, gritai..
Abandonai vossas roupas feitas de polímero e vesti vós do que sois, vesti de gente,
Saí dessa superfícialidade aborrecida..
Ide às profundezas, ao abissais, aos subterrâneos..
Adoçai vossos corações embrutecidos e não afogueis vossos impulsos humanos,
E vos peço, por favor, sede o que sois..
Viver é mister..
Viver, definitivamente, não dói..

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