domingo, 17 de março de 2013

Poema para nunca mais





 
Não darei mais vida às folhas brancas
Deixarei de morram à mingua, de frio, de tédio, de fome à espera de um mísero poema 
Nenhuma palavra ou verso.
Nem sílaba sequer..

Serão minhas as estrofes silenciosas, donas de um sem fim de sonatas inaudíveis 
Serão meus os vácuos, as clepsidras, as asas em voo 
Deixarei para os outros os poemas,
para os outros todos,
para os demais,
para aqueles cujos rumores são Plêiades em errupção 
Eu não..

A mim não cabem os rumores,
a mim cabem os gritos afônicos, os sussuros, os gemidos.. 
Já não escrevo mais.. 
E se estes são meus silêncios agora 
É porque em mim algo está gritando.. 

02.03


sábado, 9 de março de 2013

Confissão



Esse não é um poema feito de versos
É antes um poema feito da tua boca..
É primeiro um bocado de ti confundido em linhas
E antes que me digas qualquer coisa
Antes mesmo que amanheça
Eu te peço silenciosa: escuta!!
Escuta porque o tempo é curto e eu estou sempre longe
Escuta porque, às vezes, eu não sei como dizer-te..
Eu tenho uma voz tão doce e mundo é tão rude que eu prefiro escrever-te em versos..
Eu prefiro dissercar-te em dodecassílabos e cantar-te em dissonâncias..
És tu a gênese dessas linhas
É da tua boca que partem meus navios de desejo..
É de ti que nascem todas as flores palavras e as cores versos..
Não te vás nunca, nunca
Porque sem ti,
Sem a tua boca, amor
Morrem encalhados todos os meus navios..



Confession


This is not a poem made of verses..
It's, first of all, a poem made of your mouth. 
It is first a bit of you confused in lines.. 
And before you say to me anything, 
Before even so the dawn
I ask to you silently: listen!!!
Listen because we have no time and I am always so far away.
Listen because sometimes I don't know how can I say you
I have a such sweet voice and the world is so cruel that I'd rather write you in verses..
I prefer to dissect you in dodecassilabos and sing you into dissonances
You are the genesis of these lines..
It is from your mouth that my desires ships leave
It is from you that rise all the flowers and all the verses..
Never go away, never
Because without you,
without your mouth, love
Die stranded all my ships ..



Poema para um dia qualquer





E eu te analiso,
Te descrevo,
te escrevo..

E te escreverei para sempre,
porque há em mim todos os pedaços que deixaste de ti,
há em mim uma certa fúria,
um certo desejo,
uma certa tempestade..

E se sou ingênua, meu amor, é porque te confundo com um menino
é porque habitamos um mundo tão pequeno, tão singelo
que se eu abrir meus olhos és tu que invades minha pupila..


"Podia em teus olhos perder-me 
não fossem, amor, teus olhos, 
o tempo de achar-me." 

Carlos Melo Santos, in "Lavra de Amor"




Poem for any day

And I analyze you,
Describe you,
Write you..

And I will write you forever,
because there are, inside of me, all your pieces you left,
because there is some anger in me,
some desire, 
some storm..

And if I am naive, my love, because I confuse you with a boy,
it's because we live in a so small, so simple world..
that if I open my eyes you who invades my pupil ..   


" I could in your eyes lose myself/it hasn't been your eyes, my love
/the time could find me" 

Carlos Melo Santos, in "Lavra de Amor"