quinta-feira, 16 de maio de 2013

E se o teu nome fosse outro





Quem dera o teu nome fosse outro
E eu não teria de viver como vivo
Assim, a sombra dessa tua alcunha de santo..
Quem dera teu nome fosse contemplação..
E eu pousaria extasiada diante desse teu corpo que eu amo.

Quem dera o teu nome fosse outro e eu nem te pensaria como penso..
Nesses 63 minutos da minha hora..
Tivesses tu outro nome eu te buscaria na escuridão da noite
Eu não te desejaria como desejo..
Nessa vontade  insana e perversa..
Nessa fúria descontrolada de ti.

Fosses tu outro, amor..
Eu navegaria como Ulisses para te buscar..
eu mataria o solitário Polifemo e vasculharia todas as Itacas à tua procura..
Fosses tu outro..
Eu viveria toda minha vida só para te encontrar..



Eu



Podia ser outra e outra e mais outra
Podia ser tantas e nenhuma
e ademais podia ser ninguém..
Acontece que sou eu..
acontece de vez em quando,
mas só de vez em quando mesmo..
Quando penduro minha alma no varal e fico lá,
ao gosto do vento,
cantarolando melodias de ser..



(Aí de mim, esse espectro de alma, na tentativa inexata de ser..
de ser uma gente ou uma pessoa ou um bolero açucarado.
Difícil adivinhar-me ou saber-me ou viver-me..
Difícil existir-me!!)

 
Magritte

terça-feira, 7 de maio de 2013

Triste o amor que não fora vivido





Triste,
triste a dor do amor de quem nunca o tivera
a dor do que se fora antes de ser..
A amarga dor de um coração que bebe veneno e se mata equivocado na esquina inútil de onde vivera..
Que se façam as lápides..
O amor morrera jovem!!! Jovem e burro!!!



Poema para descrever minha saudade






Minha saudade anda às voltas, sufocada em oceanos..
Navega as montanhas e as lonjuras até chegar a ti e as tuas coisas..
Minha saudade caminha os parques e as avenidas,
escala os arranha-céus e se atira, pobre louca, do alto do Fuji-Yama..

Minha saudade anda aos prantos, molhando as maresias..
Chora todo dia e agora vive nua..
Vive nua, dançando tuas canções  inexatas,
esperando um abraço desse teu mar impreciso..

Minha saudade anda às tontas, cambaleante, ébria de ti..
Minha saudade te olha na rua, te cheira no vento e te implora que venhas..
Minha saudade cansou de silêncio e agora ela grita..
Grita tanto e te pede que a mates..
Minha saudade.. um jasmim amarelo de súplica!!! 

"De Saudades vou morrendo 
E na morte vou pensando: 
Meu amôr, por que partiste, 
Sem me dizer até quando?"

António Botto, in 'Canções'



Desacordo

 
Não será a vida um sonho
desses mutantes e mutáveis como são as horas?
Não serão acontecimentos fortuitos nossos minutos - quase pequenos milagres talvez?
Não é a vida - ela própria - um indelével mistério?
 
Ora, ora não nos enganemos pois..
Não há acordo..
Nunca há!!!
 
A vida é essa..
A vida que jaz - pobre menina - no sepulcro das horas..
E que se vai,
lentamente,
pouco a pouco,
cambaleante,
meio tola,
meio ébria para o destino final..
o destino final - a morte - flor azul ingrata..
 
Repito, não há acordo!! Nunca há!!
Brindemos os dias de morte, senhores..
Brindemos..
Brindemos com um naco de vida..