quarta-feira, 7 de maio de 2014

Pequenos versos de uma cegueira irrestrita




Se faço versos é porque algo aqui dentro dói ou finge doer.
E esses versos são como fotografias do instante.
Queria eu a paz, aquela paz de ceifador ou aquela paz do incompreensível
queria eu andar no meu abismo sem perceber as grandes paredes a engolir-me
sem amedrontar-me com a imensidão dos muros.

E sou eu os meus próprios abismos
- os penhascos sobre o Amu-Daria -
Sou eu esse escombro amarelo
a esgueirar-me sobre a estrada..
E se, às vezes, paraliso-me..
é porque já não me atrevo aos caminhos
é porque põe-me medo as lonjuras.
Mas eu mesma sou feita de distâncias
e já não sei de caminhos
nem de pontes
nem de chegadas.
Não sei da lua, do sol ou das misteriosas constelações do universo
Não me sei..
Sou eu só essa frágil poeta que pinta versos nas paredes..
que desenha palavras como uma menina..
Eu, essa menina, cujos olhos inventam fantasias e castelos
Eu, essa menina, com olhos de cegueira..


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