quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Versos feitos de insônia - parte 1




Enquanto a humanidade dorme,
Eu escrevo poemas..
Incongruência atônita diria..
É trabalho do poeta varrer o lixo da madrugada..
É ofício do artista juntar palavras que vem e vão como transeuntes embriagados..

É na madrugada que o poeta pinta..
É na crueza da noite que desenha seus hieróglifos vindouros.
Sim, é do poeta escrever-se..
Escrever-se e rasgar-se.

E rasga-se tanto como se fosse a própria vida uma página nua..
Escreve-se tanto que cada linha é  uma cicatriz, uma víscera, um eu perdido..
Escreve-se tanto que não há espaço para paredes vazias nem muros brancos,
Na casa do poeta tudo é folha nova..
Na alma do poeta, essa pobre criatura, transfigura-se a vida..
A própria vida.. E também a morte!!



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