segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Suicídios



E aquela carta nunca chegara ao destinatário final 
Não repousariam sobre ela os olhos da amada 
As palavras de amor perderam-se pelo caminho como prantos 
E a amada, pobre moça, num engano pueril, experimentara o ocre sabor do abandono.. 

Já não esperaria ela pela mão do amado 
Já não teceria outras missivas, nem outros bordados, nem outros júbilos
O amor morrera
O cão latira 
A vida enegrecera 

Na sala, um pedaço desbotado de corda.. 
Suicidara-se a pobre moça convencida do desamor.. 
"Aqui jaz o amor desamparado" dizia sua lápide 
"Que não sejam plantados nem lisiantos nem astromélias"
"Aqui jaz o desamor, o desencontro, o destino triste e choroso"
Pobre moça suicida.. 
Morreu de um amor desvalido.. 
Menosprezada causa mortis,
o amor vil e enganoso, 
o amor covarde e inexato.. 
O amor, esse mesmo amor, da falta de amor, morrera.. 








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