sábado, 16 de julho de 2016

Poeminha do amor maduro



E mesmo depois de arquivada a ciência e boa parte da vida, apaixonaram-se os dois velhotes de fraldas.. 
Era uma espécie de solidão amenizada.. 
Uma companhia para aqueles momentos em que a vida já não teria mais tantos ganhos.. 
Aqueles breves instantes onde sabemos nós que, em seguida e, sem nenhuma cerimônia, escoará a existência pelo vento como folha tênue.. 

E ainda que imersos nas fraldas como duas velhas crianças, 
Ainda que num lar que se confunde, às vezes, com um depósito de seres flácidos, Apaixonaram-se.. 
Belo vê-los, os dois, de mãos dadas, 
Belo vê-los juntos conversando sobre o que ainda resta desse caos.. 
E a amada, na sua sabedoria, dizia que fora a voz dele a razão do enlace.. 
E nos momentos em que a saúde pairava rarefeita, confidenciava ela, que carregava  amor aos balaios.. 

O amor assim, sem nenhum atributo físico, sem exigência de legado, sem qualquer horizonte futuro, há, necessariamente, de ser um grande amor.. 
O amor assim, de pura afeição e ternura parece sim, o único e verdadeiro amor, leve e desinteressado.. 
O amor assim.. 
Amor, pura e simplesmente, no final da vida, é como a mágica esperança de que ainda existem corações abnegados.. 
Amantes que se encontram no final da vida, depois de vividos e esgotados todos os recursos, são como velas que vão se apagando.. 
Antigas velas que, mesmo por breves instantes, ainda conservam  seu lume.. 



Ps: Morrer quando se tem um grande amor e, nessa altura da vida, é quase um engano de deus, mas deus, se é que existe, parece estar, nos últimos tempos, se equivocando em demasia.. 


(Dos 23 poemas de amor..  E.E) 




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